Páginas

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Sem Palavras (prolongamento)



Talvez devido ao aquecimento global acordei a meio da noite cheio de calor. Com a minha avançada idade o meu sono consegue ser interrompido com certas preocupações. Para combater as malditas insónias a solução é refugiar-me neste mundo virtual que não pára e tem sempre muito publico activo.


E para meu espanto verifico que pouco mais de 24 horas depois de ter publicado o ultimo post provoquei algum reboliço.  Mais de 400 acessos ao blog, algumas partilhas, alguns comentários e três mails na caixa de correio, um deles ameaçador, mas a propósito de um outro post.


CREDO o que é que eu fiz???
Tenho a plena noção que os meus actos tem sempre de uma forma directa ou indirecta repercussões em alguém ou em algo.
Se estaciono o carro em frente à garagem do meu vizinho posso fazer com que ele chegue atrasado e/ou falte a um compromisso; se compro na feira uns ténis "abibas" posso a estar a contribuir para o trabalho escravo nalguma fabrica no oriente, e a prejudicar uma marca e seus trabalhadores; se compro um diamante, posso a estar a patrocinar um grupo guerreiro em África; se passeio de carro, os gazes que liberto para as nuvens vão contribuir para derreter o gelo do Àrtico: se como carne de vaca estou a contribuir para a criação de uma raça animal que mais contribui para a destruição da camada do ozono; se vejo (algumas) mulheres com decotes generosos e mini-saias curtas, aqueço de tal maneira que também devo de algum modo prejudicar o ambiente.

Mas escrever um singelo texto num blog não sabia que importunava e tirava o sono a tanta alma.

Quando iniciei esta labuta de blogueiro foi com o único propósito de me divertir, descontrair e relaxar dos meus stressantes dias de trabalho, que por norma são penosos, muito sisudos (e sem mais nenhuma outra pretensão).

Entre outras possíveis actividades optei por vir para aqui escrever umas parvoíces, (e armado em parvo com a mania que sou engraçado como alguém escreveu num mail que recebi recentemente) camuflado com um pseudónimo, para evitar que os meus colegas e clientes julguem que me passei dos carretos, e por isso não esteja capaz de lhes tratar devidamente dos assuntos.

Por isso reflecti muito (pouco) antes de publicar o post objecto desta pretensa polémica. Primeiro pelo que já expliquei, o assunto foge ao objectivo desta minha aventura blogueira e depois porque tenho receio em criar polémicas, e com isso algum mal estar, quando o meu propósito é outro.

E não teria voltado ao assunto (segundo diz a minha avó quanto mais se mexe na me*da mais mal cheira) se não tivesse lido um comentário de uma jornalista que escreve  "O que está no blogue é mentira e não posso fazer uma noticia, baseada num blogue anónimo!".

Pergunto o que é que é mentira?
Tudo o que escrevi ou parte?
Terei ouvido e/ou percebido mal a historia? 
Estou intrigado e curioso.

É meu dever, sem entrar em grandes detalhes, esclarecer que não estou de forma alguma envolvido em qualquer organização que pretende (justamente) homenagear o falecido padre Abílio.
Por desconhecimento e por até ao momento não me ter sido solicitado, não contribui para o peditório.
Sou um simples espectador.

Tive conhecimento da situação que relatei, há mais ou menos três semanas, numa festa de aniversario de uma grande amiga. Num grupo de seis pessoas (eu mais cinco) que se juntou à volta de uma mesa, falou-se e discutiu-se muita coscuvilhice, que dava matéria para um livro de cronicas de mal dizer.

O assunto da homenagem ao padre Abílio veio á baila e dois dos presentes que fizeram parte da dita comissão de angariação é que relataram os factos que eu no post resumi ao essencial.

Repito, foram duas pessoas, estavam sóbrias, tenho-as como pessoas sérias e não me pareceu que estivessem combinadas para ali dizerem falsidades.

Desconheço se entretanto houve algum desenvolvimento em sentido contrario.

E sobre o assunto, pela minha parte, vou seguir o conselho do Sra Nuno Canilho e aguardar expectante.

Agora vou aproveitar a soneira que está a pairar sobre os meus olhos.

Bons sonhos!



quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Sem palavras



E a historia resume-se a isto:

Foi feito um peditório em certas zonas do concelho para angariar dinheiro para custear as pedras e adereços para a campa e para uma obra de arte para homenagear o falecido padre Abílio. Não ficou decidido qual o tipo de obra de arte, ficando em aberto a hipótese de um busto ou um quadro a óleo ou outra coisa a decidir, mas para o caso também não é importante.

A verba recolhida foi entregue na altura ao tesoureiro da comissão da igreja com a indicação do pároco interino da altura para ser depositada numa conta a criar para o efeito, visto que entendia que o valor recebido tinha sido dado pela população para um fim e por isso não devia ser depositado na conta da paroquia.

No entanto e contra as ditas indicações o dinheiro acabou depositado na conta da paroquia e dali saiu o dinheiro para pagar a campa do falecido padre Abílio.

O restante continua lá retido e por vontade do actual padre não vai de lá sair, negando assim uma vontade e desejo daqueles que contribuíram.

Recentemente alguns elementos que fizeram parte dessa campanha de angariação de fundos tentaram desbloquear a situação na tentativa de mandarem erguer perto da igreja um busto do falecido padre, mas levaram um autentico "ni" do padre e companhia Lda.

Será legitimo perguntar se esta atitude do sr padre e seus conselheiros é correcta(?)
E também pergunto se para os jornalistas do jornal da Mealhada estas matérias não são mais importantes que o êxito da vizinha Expofacic(?)

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Férias e prisão de ventre


Por imposição do estipulado no acordo da empresa, subscrito pelo meu sindicato, fui obrigado a gozar um período de férias.
Grande seca. Devia ter nascido num país oriental, daqueles em que só se trabalha.

Como um bom português que sou, fiz as malas e toca a ir para fora, para um daqueles paraísos com tudo incluído que me ficou mais barato do que alugar uma casa na praia de Mira por 15 dias. No entanto  não me consigo desligar da minha parvónia e conjuntamente com uma data de livros e revistas trouxe a ultima edição do Jornal da Mealhada, propositadamente para ler a entrevista de despedida do nosso actual presidente da câmara do concelho.

Como tenho uns intestinos preguiçosos, a coisa agrava-se quando viajo, trago sempre muita literatura para me acompanhar nos meus momentos de solidão que passo na casa de banho (meu caro leitor eu sei que é parvoíce estar com estas revelações, mas gosto sempre de enquadrar os meus pensamentos de cáca). E foi num desses momentos de profunda reflexão literária e sem que os meus intestinos resolvessem colaborar, que a dita entrevista poisou sobre os meus joelhos. Li o titulo, olhei nos olhos da foto do Presidente Carlos Cabral e pensei, é agora que isto vai dar me*da.

Li a entrevista num ápice e nada. Voltei a ler. Reli e nada de nada.

Pensei que o homem ia partir a louça todo e chamar os bois pelos nomes mas cingiu-se a uma entrevista politicamente correcta.

Gajos do PSD por quase nada foram processados em tribunal e os gajos do partido que dizem dele cobras e lagartos, levam uns arrufos muito fofinhos.

Telefonei ao meu primo que parece-me pertencer á linha dura do PS da concelhia (ou seja um anti-Cabral) para que me desse uma opinião sobre a entrevista. Não foi parco nas palavras e por vontade dele o partido devia-lhe retirar a confiança politica, porque atacou descaradamente o actual candidato e só lhe faltou publicamente demonstrar o apoio à candidatura do candidato da aposição.

O mais frustrante disto tudo é que não consegui fazer nada.
Nada que o Dulcolax não resolva.

sábado, 22 de junho de 2013

Os Eleitos (III)





A organização da qual sou dirigente já foi visitada pelos dois candidatos que andam em campanha eleitoral, embora eles digam que se tratam de reuniões de trabalho para recolherem informações para os seus planos de acção. Sabem muito!!

Com o Dr. Rui Marqueiro estivemos reunidos pouco depois de ter escrito o primeiro post sobre esta saga e mais recentemente coube a vez de reunir com o novato Gonçalo Louzada.

Nestas reuniões que basicamente se resumem ao óbvio, uns a queixarem-se das dificuldades, os outros a tomarem notas e a prometerem que se forem eleitos irão tentar resolver os problemas. Mas também houve tempo para abordar outros assuntos e deu para ficar com uma ideia dos objectivos dos dois candidatos.

E foi por causa da ideia com que fiquei dos objectivos do Gonçalo Louzada que resolvi escrever este breve post na tentativa de o ajudar.
Aqui vai:

Meu caro amigo Gonçalo (espero que não leve a mal este tipo de intimidade) como já deve ter reparado, sou uma pessoa muito entendida sobre politiquice concelhia e tenho a melhor assessoria do meu primo Zé Lérias, pelo que deve ter em atenção os meus conselhos.

Meu caro, não sei se anda distraído, mas está a candidatar-se a um lugar politico, mais precisamente a presidente da Câmara Municipal da Mealhada. Ou seja, não se trata de lugar para CEO de uma multinacional e muito menos para Presidente do Instituto do Emprego.

Essa sua mania de só pensar em atrair empresas para o concelho e de criar incubadoras de empreendedores e/ou de empresas, assusta os eleitores. Esse palavreado cheira a trabalho e o pessoal nunca esteve nem está para ai virado. 

Eu sei que são vícios de gestão e que acha fundamental criar postos de trabalho, criar riqueza, produtividade, empreendedorismo e blá blá blá blá blá..... 

Mas tome nota: para o lugar para que se está a candidatar isso não interessa para nada.

Andar para ai a dizer e a escrever que quer atrair empresas, que vai criar incubadoras de empresas e outras coisas tais, é claramente uma má opção e está a pôr o meu primo Zé Lérias com os cabelos em pé.

Meu caro amigo, siga o meu conselho não prometa coisas que impliquem dar trabalho ao pessoal. Ao fim ao cabo é complicar uma coisa que tem sido  até agora bastante simples e parece-me que das duas uma, ou está a ser mal aconselhado ou meteu-se nisto sem a fazer o trabalho de casa.

O pessoal que concorre para este tipo de funções só tem que ter ideias em como gastar o graveto e não em como se o arranja.

O meu amigo só tem que saber quais são as receitas do negocio autárquico, ou seja quanto é que ´Zé Povo" arrota em impostos municipais (IMs, IRS, etc.) depois é subtrair o valor para as despesas correntes, tipo agua, luz, telefone, mulher a dias, etc. e o resto é para estoirar de preferência em coisas que o pessoal aprecie.

Nada mais fácil. Mas atenção não gastar mais do que aquilo que receber e se puder guardar algum para alguma emergência fica sempre bem e sempre dá para aparecer bem classificado naqueles rankings anuais.

Siga o meu conselho e apague os vestígios dessas promessas parvas, mande notas à imprensa a desmentir e passe a informação de que são bocas da oposição ou se achar preferível diga que foi fruto de um desvario provocado por um medicamento halogeno.
Ponha os olhos no seu adversário, a praticamente 4 meses do dia D e já prometeu duplicar as verbas para a cultura. Veja lá se está preocupado com as receitas. Isso é coisa para o Gaspar ou para quem o venha substituir.

Não se fique atrás e se eu fosse o meu amigo prometia melhor ou seja prometa que se for eleito irá promover além dos actuais festejos de Carnaval (inverno e verão) que também se organize o Carnaval na primavera e no outono.

Vai ver que ele para a próxima vai pensar duas vezes antes de fazer outra promessa.

Sempre ao se dispor e se precisar de mais dicas não se iniba.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Segredos

Num momento menos bom, requisitei na biblioteca o livro intitulado "Segredos".

Sim, aquele livro de autoajuda que tem solução para tudo e que foi ou ainda é um bestseller e numero um em vendas em vários países.

Li-o numa penada e fiquei logo lunaticamente confiante.
Com aquela sensação que tinha descoberto o segredo da Coca-Cola e que agora “é que vai ser sempre a subir”.

Para quem ainda não o leu, a coisa resume-se a isto: para algo acontecer ou se pretendemos algo, temos que QUERER. Não se trata de um querer qualquer, tem que ser um QUERER com muita força, vontade e muita proactividade.

Bom, fiquei de tal maneira com um QUERER.

Desde então, em tudo o que quero, tenho empregue uma vontade imensa, uma positividade e uma autoestima à Mourinho e sempre, mas sempre, assertivo na minha atitude do QUERER.

Tenho acordado e deitado a QUERER.
A QUERER ser milionário e quando entrego os boletins da Santa Casa da Misericórdia até serro os dentes. A QUERER ser parecido ao George Clooney (até comprei uma máquina da Nespresso). A QUERER que a minha sogra fique igual à madre Teresa de Calcutá!

Mas só tenho arranjado umas dores de costas em consequência da força que faço para tanto QUERER.

Ainda bem que não sei onde é que mora a senhora que escreveu o livro, porque era gajo para lhe ir bater à porta e dizer-lhe qualquer coisa menos simpática.


Conclusão, se bastasse o QUERER não era preciso terem inventado o Viagra.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Os Eleitos (II)


Embora a minha vida profissional, amorosa e a fins me deixe muito pouco tempo para esta minha nobre atividade de mal dizente, a pedido de muitas famílias, vou fazer algumas considerações com base no que tenho lido, visto e escutado (por enquanto ainda não me deu para apalpar e nem me atrevo a cheirar).

Em contra ciclo com a temperatura desta triste primavera, o ambiente político do nosso concelho começa aquecer.
Recentemente apareceu mais um candidato nomeado pelo Partido Comunista. Desta vez decidiram-se por um homem da casa que personifica na perfeição, a filosofia e maneira de estar do partido em causa, na luta de classes, reivindicando pela classe operaria. O candidato em causa de nome João Louceiro, professor e/ou sindicalista, como bom comunista que é, só aparece para intervenções politicas, seja para artigos escritos na imprensa, seja para intervenções no sindicato que representa ou para piquetes de greve e por isso é muito pouco conhecido nos meios por onde circulo.
No meu ponto de vista e com todo o respeito que a pessoa e o partido me merecem, o propósito será, como se diz na gíria futebolística, a de tirar pontos aos grandes e manter-se em cima da linha de água. No entanto posso estar enganado e o candidato até pode fugir à retorica habitual do partido e vir com o propósito de apresentar alternativas credíveis à governação do concelho. A ver vamos.
Embora não alinhe nos ideais comunistas tenho respeito e admiração por alguns dos seus militantes e dirigentes, que contra a história e os factos, continuam convictos e acreditar nos seus ideais. Por isso, para mim são políticos confiáveis, previsíveis (há quem diga que engoliram uma cassete) e não andam ao sabor dos ventos, como a maior parte dos seus mais diretos opositores e críticos.

Assim sendo, temos atualmente três candidatos ao cadeirão da sede do concelho da Mealhada. O que convenhamos são poucos em relação ao número de desempregados que atualmente roça a obscenidade (a troika tem toda a razão quando diz que este povo é uma cambada de mandriões, para uma vaga destas e só aparece um desempregado).
O Dr. Rui Marqueiro pelo PS, o Gonçalo Louzada pelo PSD e João Louceiro pelo PCP, com os dois primeiros já em declarada campanha eleitoral.
O Dr. Rui Marqueiro com a vantagem de estar desempregado e por isso com mais tempo e também mais experiência nestas lides, já visitou tudo o que é associação, ranchos, lares, escolas, fundações e afins, e só não tem aparecido em casamentos e batizados por manifesta falta de vontade dos promotores em convida-lo. Consta que é pelo facto de andar sempre com uma grande comitiva atrás.
O Gonçalo Louzada novato nestas andanças, tenta ombreá-lo e também vai visitando o que pode, mas está em clara desvantagem porque tem uma empresa e um clube para gerir e não menos importante, três filhos para educar.
O João Louceiro ainda não entrou na fase dos preliminares e anda preocupado com a luta da sua classe profissional e pelo andar da carruagem só deve aparecer lá para depois do verão.

Não será necessário fazer um estudo de mercado para se concluir que nem todos se sentem representados nos atuais candidatos e era necessário aparecer alguém que represente os descontentes do PS concelhio, uma versão tipo MOI. È publico (e então em privado nem é bom falar) que existe muito descontentamento nas hostes do PS. Pelo que tenho ouvido, se alguns descontentes começam a pôr a boca no trombone, os atuais adversários na corrida com o Dr. Rui Marqueiro vão parecer uns meninos de coro e fortes candidatos ao prémio nobel da paz.
Como grande animal político que é, o Dr. Rui Marqueiro sabe que a melhor defesa é o ataque. Por isso vai desbravando mato e naquilo que o meu primo Zé Lérias considera um golpe de mestre, já apresentou oito candidatos a presidentes das juntas de freguesia, quando só vão haver seis lugares vagos. Numa assentada arranjou mais candidatos do que o necessário, numa clara jogada utilizada pelos clubes de futebol que contratam jogadores sem precisarem deles só para não serem contratados pelos adversários e ao mesmo tempo não feriu as sensibilidades do pessoal da Antes e de Ventosa do Bairro.

Quando vi a foto que ilustrava a notícia no jornal da Mealhada inicialmente pensei tratar-se de uma montagem porque aparece o nosso amigo Claudemiro Semedo que foi nas últimas eleições autárquicas o candidato ao mesmo lugar mas pelo PSD.
Sobre esta possível gaffe, uns dizem que foi distração, outros que o Dr. Rui Marqueiro o confundiu com outra pessoa. O certo é que o Claudemiro não se fez rogado e assinou de cruz. Fonte próxima disse-me que ele seguiu a aquela máxima: se não podes com eles junta-te a eles.
De qualquer modo era aconselhável que vissem o que se passa na cabeça do Dr. Rui Marqueiro não vá ele convidar o Cesar Carvalheira para candidato a presidente da Assembleia Municipal e começar a baralhar isto tudo.

Se o candidato à freguesia do Luso ganhar vou querer estar na primeira fila para ver a cara do atual presidente Homero Serra quando passar a pasta ao rapaz que tão bem tem dito dele.

Tenho um amigo que tem a mania que é filosofo que frequentemente diz:

“Conhecer o passado e acompanhar o presente é essencial para compreender o futuro”.



terça-feira, 28 de maio de 2013

Prioridades



Um dos principais problemas da nossa economia, segundo os nossos governantes, é a falta de produtividade.

Mas também são os mesmos que produzem legislação para que assim seja.

Um exemplo que se passou hoje comigo:
A meio da manhã dirigi-me à loja do cidadão para entregar papelada num organismo público. Chegado ao balcão tiro uma senha e verifico que tenho 9 pessoas à minha frente e que o atendimento está previsto para 15 minutos depois. Aproveito para ir tomar um café e queimar um cigarro. Passados 10 minutos estou novamente no local, verifico que ainda tenho 8 pessoas à minha frente e que os utentes em espera a modos que triplicaram.
Os atendimentos feitos por duas funcionárias, já cinquentonas e com uns penteados à anos 30, continuam a um ritmo normal, mas continuo quase no mesmo número de espera. E porquê?
Ponho o radar a funcionar e voilá!
Descobri que existe atendimento prioritário para quase toda a gente menos para mim.

Pois é, existe uma legislação que estipula que nos atendimentos em organismos públicos uma quantidade enorme de pessoas tem prioridade no atendimento:
Grávidas, deficientes, aleijados, doentes, pessoas acompanhadas de bebés de colo, idosos e advogados (não sei se me esqueci de alguém). Ou seja quase toda a gente tem prioridade, menos os que estão em trabalho ou seja a produzirem.
Fui ultrapassado por um aleijado devidamente equipado com umas muletas, algumas grávidas, uma delas mais parecia ter engolido uma azeitona, uma serie de idosos com pressa para irem jogar a sueca para o centro de dia, um deles com dupla prioridade porque transportava o neto ao colo.

Nota: para a próxima tenho que perguntar se quem tem próteses dentárias também pode usufruir de atendimento prioritário?

Não há paciência!

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Há novidades do céu?






Hoje enquanto tomava banho ocorreu-me uma inquietação, que no meu caso é periódica.
Será que a minha avó que está no céu (era muito boa pessoa), me estará a ver?
Bom, não me incomoda que a minha avó me veja nu, é da família,  mas será que todos aqueles que morreram e foram para o céu estarão debruçados nos beirais celestiais a verem o que o pessoal cá por baixo anda a fazer?

Eu por acaso estava a tomar banho mas há alturas que pratico certas actividades de que gosto da máxima privacidade. A minha performance fica comprometida se me sentir vigiado.

Embora tenha procurado por tudo o que é Google, não encontrei uma resposta que me satisfaça. Partindo do princípio que a teoria que praticamos está certa, quando morrermos, (em principio e se tivermos o registo criminal limpo) abalamos para o céu.

E depois?
Como é que aquilo será?

Preocupa-me o facto de tantos crânios a tentarem descobrir curas para tudo e mais alguma coisa, a preocuparem-se em descobrir vida em Marte e nenhum se preocupa em saber como é que é aquilo lá no céu. Mas que raio, já imaginaram a quantidade de gente que para lá foi e até agora ninguém mandou recado e ninguém se preocupa em saber se estão bem.

Será que um gajo anda por aqui a portar-se bem, para garantir lá um lugar e depois chega lá e aquilo é uma seca.

Não sei se estão a ver bem a coisa. Nós aqui por baixo, com um bocado de sorte podemos chegar aos 100 anos. Mas quando partimos lá para cima, meus amigos, não é para lá estar 100 anos, é para a eternidade ou seja a coisa nunca mais acaba. E pelos vistos temos que andar sempre aprumadinhos e certinhos porque o chefe não autoriza baldas.

À pois e se lá não houver televisão por cabo? e se não houver internet? e facebook haverá? será que um gajo lá pode dormir acompanhado? e seremos obrigados andar vestidos todos de branco? e o que se come? que língua ou dialeto se fala lá em cima? como será o clima? será que está por lá toda a gente que quinou desde a pré-história? se estiverem deve ser uma grande confusão. Só espero não me cruzar com o D. Afonso Henriques, o nosso primeiro rei, porque lhe terei que dizer umas verdades.

Se me preocupa o facto de os que para lá foram nada dizerem, mais me inquieta o facto dos que por cá andam nada fazerem para esclarecer estas minhas dúvidas.

Amanhã vou mandar um mail ao Francisco.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Porque não?




Centro comercial, +/- 18 horas, loja da Zara, aguardo que a minha esposa decida a cor da blusa que vai comprar. Azul-celeste, azul-marinho ou azul-turquesa? Eis a dúvida.

Relativamente perto, uma grande senhora (coisa para cima dos 120 kg) vasculha um monte de camisolas de malha num expositor com vestuário em fim de estação e em promoção. Aparentemente também indecisa quanto à cor a levar. Já com um casaco na mão, faz sinal a uma funcionária que prontamente larga o que estava a fazer e se lhe dirigiu. Sem dar tempo á cliente de abrir a boca, diz-lhe “minha senhora nesta loja não vai encontrar roupa para o seu tamanho.”
Prontamente a senhora arremessou o casaco para o expositor e saiu da loja (presumo eu) para nunca mais voltar.
A funcionária voltou às suas tarefas, com cara de dever cumprido, o que demonstra que foi ensinada para o que devia fazer, mas ninguém lhe ensinou o que não devia fazer.

Mas agora não me apetece debruçar sobre a temática de atendimento ao público, inquieta-me sim a paranóica falta de visão do comércio em relação ao cliente ou potencial cliente XXXL.

Os gordos, obesos ou o que lhes queiram chamar, representam uma grande fatia da população. Por norma nos gordos habitam pessoas bem-dispostas e muito sociáveis, ao contrário dos magricelas.
Segundo dados de 2006, seriam quase um quarto da população portuguesa e com tendências para aumentar, ou seja um grande nicho de mercado. São muitos e às toneladas, bastou dar uma volta ao centro comercial para confirmar a enorme quantidade de gente de peso que por lá circulava. Mas nas montras não vi um único manequim XXXL.

O que é que o comércio de bens e serviços tem para lhes oferecer?
Tudo o que eles quiserem para emagrecer!

Mas se eles não quiserem emagrecer?
Existe alguma legislação que proíba ou condicione uma pessoa ser gorda?
Se me apetecer engordar até aos 150 kg e ter um diâmetro de 5 metros, não posso?

CRISE



Em momentos de crise, perdemos de vista o que ficou para trás e o interesse pelo que vem depois. Ficamos ocupados com o momento e com a sua gravidade. Só vemos o lado escuro das coisas e o quanto ainda teremos que penar.
A nossa reação perante algum advento mais adverso é economizar. Começamos a economizar o presente, enquanto arquivamos as experiências passadas, que nos revelaria ser esta, apenas mais uma crise, entre muitas outras que virão na normal correria das sociedades ditas modernas.

Os momentos de dificuldade também são os momentos de reflexão, para olhar de fora e pensar no que mudar do lado de dentro. Não existe oportunidade se não existir adversidade. Quando tudo vai bem, não há progresso real, apenas progresso natural. Alguém já disse que a necessidade é a mãe das invenções.

O problema é que a incerteza nos atormenta, pois não estamos preparados para alojar o futuro desconhecido que nos bate à porta.
Mas crises podem ser profiláticas se aplicadas diretamente no nosso ego.
Não são os maiores, nem os mais fortes que sobrevivem às crises. Os que sobrevivem e permanecem são os que mais depressa se adaptam.

As oportunidades circulam à nossa volta, por isso precisamos de estar atentos e sintonizados para as decifrar, interpreta-las e apanha-las em andamento.

Li recentemente uma entrevista de um atual CEO e herdeiro de um grande grupo empresarial que foi fundado pelo seu avô que era ferrador. Na segunda década do seculo passado, mudou-se do campo para a periferia da cidade, à procura de uma melhor vida. Cedo se apercebeu que dia para dia eram menos os cavalos e mais os automóveis. Na igreja onde religiosamente ia todos os domingos, reparou numa figura sagrada esculpida em madeira  com uma perfeição impressionante. O que mais lhe chamou atenção foram as sandálias que o artesão tinha esculpido em madeira e que calçavam o santo.
Em pouco tempo passou de calçador de cavalos para o maior fabricante de calçado da cidade. Embora praticamente analfabeto fundou um império. Segundo o seu neto uma reclamação de um cliente era um motivo para o seu avô melhorar, fazer melhor, aperfeiçoar. Para o seu avô não se tratava só de fabricar calçado, tratava-se de satisfazer as necessidades dos seus clientes. O que para uns seria um motivo de desânimo para ele era um motivo de melhoria.
Tudo começou na antecipação a uma adversidade e onde todos viam uma bela estatueta em madeira, alguém reparou num potencial negócio.

Mas para mim, o melhor exemplo de que devemos estar sempre atentos é o do homem mais rico do mundo Carlos Slim (mexicano). Em recente entrevista disse que encontrou a sua grande inspiração para os negócios na revista Playboy, entre fotos de raparigas nuas, num artigo de Jean Paul Getty.

Já alguém reparou que a Playboy tinha artigos?
Pois, estejam atentos.

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...